Mensagem do Presidente

MENSAGEM CONJUNTA DO PRESIDENTE DO CONSELHO DE ADMINISTRAÇÃO E DO PRESIDENTE DA COMISSÃO EXECUTIVA

O ano de 2017 foi, à imagem de 2016, de significativa adversidade para a economia em geral e para o sector financeiro em particular.

Vários fatores contribuíram para um contexto particularmente adverso vivido neste ano, destacando-se a contínua redução do fluxo de entrada de recursos em divisas para a economia, contrastando com um aumento de volume de fluxo de saída de moeda estrangeira do País, em busca de mercados mais atrativos, além de se verificar um aumento de empresas em dificuldades, por falta de liquidez e de negócios.

Para o sector bancário, este ano foi mais um de grandes desafios e um teste de resiliência a todos os níveis. O grande desafio para o sector financeiro continua a ser o de garantir os níveis de rendibilidade, solvência e de risco adequados, assim como uma maior resiliência aos choques internos e externos.

Permanecem contudo entraves de relevo que tendem a condicionar um melhor desempenho do sector. A dimensão micro do mercado (em termos de população e poder de compra), a fraca proteção legal e a morosidade na resolução judicial de processos contenciosos, forte pressão à saídas de divisas, o baixo nível de diversificação da economia (sendo a economia orientada essencialmente para importação de bens de consumo), o elevado nível de informalidade da economia e a forte dependência da maior parte das empresas das despesas/investimentos realizados pelo Estado, podem ser vistas como algumas das principais dificuldades que tornam a missão do sector financeiro muito difícil.

Assim, em 2017 o sector conheceu momentos de grandes dificuldades e de redução efetiva das suas reservas externas, resultante da escassez de divisas necessárias para responder às fortes pressões de saída de divisas para fins de importação e repatriamento de capital. A redução do investimento estrangeiro também tem concorrido para a menor entrada de divisas.

As condicionantes atrás citadas tornam-se ainda mais visíveis em conjunturas adversas.

 Registou-se também um aumento na deterioração da situação financeira dos agentes económicos, em particular empresas, cuja atividade/receitas estão muito dependentes dos pagamentos do Estado, facto que elevou o risco de deterioração da carteira de crédito e consequente aumento de provisões.

Continuamos perante uma conjuntura em que as oportunidades de negócio escasseiam e minimiza-se a possibilidade de aumento do volume do negócio (crédito e captação), uma vez que o aumento do crédito pressupõem aumentar o nível de risco de crédito e o aumento de captação implica aumentar custos; mesmo assim, os bancos, em geral, não pouparam esforços no sentido de manter um nível intenso de atividade, em especial no tocante à oferta de novos produtos, redução das taxas de juro nominais de forma significativa, visando estimular o crescimento das suas respetivas carteiras de crédito, e aligeiramento de algumas condições de segurança (garantias), para tornar o crédito mais aliciante.

 Porém, essas ações continuadas dos bancos visando a redução da taxa ativa, trouxeram também como efeito negativo a rentabilização menos eficiente dos recursos.

A vulnerabilidade do sistema financeiro nacional persiste, constatando-se níveis de rendibilidade ainda negativos e solvabilidade requerendo reforço de capital, consequência da dificuldade na obtenção de melhores negócios com riscos aceitáveis.

A emissão de bilhetes de tesouro, apesar de a taxa não ter correspondido às expetativas, tem sido uma alternativa para o sector financeiro aplicar algum excesso de liquidez na economia e obter alguma rendibilidade sobre essa liquidez a menor risco.

 Atividade do BISTP em 2017

No tocante ao BISTP em particular, foi notório o efeito das predisposições tomadas em face das mutações ocorridas no sector bancário.

A redução das taxas ativas para melhor ajustar o princing às capacidades financeiras dos clientes, permitiu estimular o aumento da carteira de crédito em 10,36%. Os ajustes feitos em baixa das taxas de juros de depósitos a prazo, em face do excesso de liquidez e reduzidas alternativas de aplicação dessa liquidez em condições de riscos aceitáveis, não afetaram muito os depósitos totais que cresceram em 2,69%.

O desafio para o BISTP foi também o de manter a sua quota de líder no mercado, mas também continuar a manter os indicadores de liquidez, solvabilidade e rendibilidade em terreno positivo, através de uma gestão prudencial do ativo e do passivo.

A intensificação de ações comerciais e oferta de produtos e serviços primando cada vez mais pela qualidade, rigor e segurança, profissionalismo, rendibilidade dos ativos, a par da racionalização dos custos, foram fundamentais para que ao longo do ano o Banco pudesse manter os seus resultados e rácios em terrenos positivos, e garantir estabilidade ao nível dos principais elementos do balanço.

Com a preocupação de melhor servir os clientes de forma rápida, cómoda e a todo o momento, o Banco pretende continuar o seu plano de modernização e expansão ao nível do país, através da banca eletrónica. Assim em 2017, o banco instalou 4 áreas automáticas, contendo cada uma ATM, fazendo com que o BISTP pudesse estar presente fisicamente em todas as capitais distritais. Ainda no âmbito da expansão via banca eletrónica, o Banco tem, de igual modo, privilegiado a venda cruzada dos seus produtos, como cartão de débito e TPA/POS.

Para fomentar a utilização cada vez maior dos canais eletrónicos, o Banco intensificou ações comerciais (publicidade e sorteios) cujos resultados foram muito satisfatórios, tanto ao nível de utilização de cartões de débito como de TPA/POS.

Do ponto de vista contabilístico, mais precisamente, no cálculo de provisões para riscos gerais, em 2017 o Banco decidiu avançar com redução de 3,25% para 2%, com vista estar alinhado com a NAP 07/2007 do BCSTP. Simultaneamente, o Banco continuou mantendo uma politica de provisão rigorosa e prudencial nos casos já considerados problemáticos e/ou em dificuldades.

Conjugados todos estes factos, foi possível em 2017 o BISTP manter os seus rácios prudenciais em níveis bastante confortáveis (Liquidez e Solvabilidade) e, aumentar a sua rendibilidade com a obtenção de um Resultado Líquido positivo, acima do registado em 2016 em 19,26%.

De realçar que o contínuo apoio incondicional da estrutura acionista (Estado São-Tomense, Caixa Geral de Depósitos, Banco Angolano de Investimentos), assim como o total empenho dos Colaboradores do Banco, tem sido preponderante para o BISTP alcançar resultados satisfatórios, mesmo em conjunturas manifestamente adversas.

 Perspectivas e compromissos para 2018

O compromisso do BISTP visando o contínuo investimento e a modernização dos serviços financeiros que possam contribuir para melhoria da economia, é total, apesar das adversidades e da pequenez do mercado, pois, o Banco acredita na viabilidade futura deste mercado.

Para 2018, perspectiva-se uma conjuntura ainda algo adversa, mas, esperamos que haja melhorias em relação ao ano findo.

O Banco continuará a apostar na “Excelência” e desenvolvimento da sua atividade como estratégia para melhor servir os seus Clientes, e, no criterioso controlo do risco e dos custos para assim atingir os objetivos de rendibilidade, solidez e liquidez.

Assim, pretende-se dar enfoque às seguintes ações:

  • Dinamizar o crédito a particulares e empresas;
  • Diversificar e melhorar a repartição de risco;
  • Dinamizar a atividade de recuperação do crédito em atraso/incumprimento
  • Aumentar a pró-atividade comercial de modo a alcançar objetivos fixados por unidade de negócio;
  • Aumentar o número de clientes, nomeadamente através de uma maior bancarização da população;
  • Continuar a aposta no reforço de segurança do sistema informático e da banca eletrónica;
  • Melhorar o controlo e racionalização dos custos.

 A administração do BISTP espera poder continuar a merecer a confiança e contar com todo o apoio dos seus Stakeholders de forma a poder continuar a contribuir positivamente para este projeto de sucesso que tem sido o BISTP, com o lema “desde sempre - para sempre”. 

Eng. Miguel Malheiro Reymão

Presidente da Comissão Executiva

Dr. Armindo S. C. Espírito Santo

Presidente do Conselho de Administração